Ambiente de negócios piorou no país, diz Banco Mundial

Ambiente de negócios piorou no país, diz Banco Mundial

Estudo da instituição mostra que a burocracia e o sistema tributário são os principais motivos que atrapalham as empresas no Brasil

Um estudo do Banco Mundial, o “Doing Business 2016”, mostrou que o Brasil piorou sua posição no ranking dos países mais amigáveis ao ambiente de negócios. O motivo principal é a burocracia atrelada ao sistema de pagamento de impostos encontrado pelas empresas no país.

De acordo com os critérios da instituição internacional, o Brasil caiu da 111ª para a 116ª posição do ranking geral do “Doing Business 2016”. Porém, o ranking principal leva em consideração várias outras informações referentes ao ambiente de negócios e em algumas dessas avaliações o desempenho nacional é bem pior.

É o caso, por exemplo, da análise do tempo necessário para a abertura de uma nova empresa. Nesse ranking o Brasil está na 174ª posição. Para iniciar um novo negócio é necessário cumprir 11 procedimentos que levam em média 83 dias, de acordo com a instituição internacional, enquanto no Chile o tempo de espera é de apenas 5 dias e na Colômbia 11. Países em desenvolvimento, como a Índia, têm implementado reformas para melhorar a eficiência da regulamentação, reduzindo seu custo e complexidade, focadas, principalmente, no início de um novo negócio. Essas melhorias foram verificadas em diversos países em desenvolvimento, mas infelizmente não é o caso do Brasil.

Licença para novas construções é outro ponto fraco do país, para a qual em média leva-se 425 dias para cumprir 18 procedimentos. Isso faz com que o Brasil esteja na 169ª posição do ranking do Banco Mundial.

Entretanto, é na burocracia de pagamentos de impostos que o Brasil apresenta seu pior desempenho. O país ficou na 178ª colocação do ranking que conta com 189 países.

“É preocupante constatar que apenas 11 países em todo o mundo têm um sistema tributário menos complexo e burocrático que o nosso”, diz Marcelo Ferreira, supervisor tributário da Easy-Way do Brasil, uma das maiores desenvolvedoras de sistemas tributários, fiscais e contábeis do país.

De acordo com o Banco Mundial, as empresas brasileiras dedicam em média 2.600 horas por ano para administrar o pagamento de impostos e cumprir outras obrigações tributárias. Em Cingapura são apenas 83,5 horas por ano.

“Isso provoca uma redução drástica da competitividade das empresas nacionais frente a seus concorrentes no exterior. Essas horas que são destinadas à administração tributária poderiam ser alocadas em atividades fim das empresas, melhorando seu desempenho. É preciso notar, porém, que essas 2.600 horas são a média nacional e há empresas que mesmo dentro desse quadro de adversidade conseguem ser mais eficientes que suas concorrentes”, analisa Ferreira.

Para o especialista da Easy-Way, a melhor forma de ser mais eficiente nessa área é automatizando cada vez mais a administração tributária. “Dessa maneira, é possível reduzir o número de horas empregado nessa atividade e ainda reduzir o custo com retrabalho e autuações resultantes de erros humanos e dados inconsistentes fornecidos ao fisco”.