Brasil arrecada muito e devolve pouco à sociedade, diz IBPT

Brasil arrecada muito e devolve pouco à sociedade, diz IBPT

Estudo realizado pelo Instituto mostra que dos 30 países que mais cobram impostos ao redor do mundo, o Brasil é o que gera menos retorno à sociedade

Pelo quinto ano consecutivo, um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – IBPT mostrou que o Brasil é um país que cobra muitos impostos de seus cidadãos, mas devolve poucos benefícios para a sociedade.

O estudo “Carga Tributária/PIB x IDH – Cálculo do Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade – IRBES” foi realizado pelo IBPT com os 30 países com a maior carga tributária. No trabalho, é comparado o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH de cada nação com a carga tributária em relação ao Produto Interno Bruto – PIB. A pesquisa divulgada refere-se aos dados obtidos no ano de 2013.

De acordo com o levantamento, a Austrália, seguida pela Coreia do Sul, Estados Unidos, Suíça e Irlanda, são os países que melhor fazem aplicação dos tributos arrecadados, em termos de melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos. Já o Brasil, com arrecadação altíssima, fica atrás, inclusive, de países da América do Sul, como Uruguai e Argentina.

O desempenho nacional é ainda menos favorável quando se analisam os dois itens que compõe o índice do IBTP. Enquanto a carga tributária brasileira ultrapassa a casa dos 35% em relação ao PIB com um IDH de apenas 0,744, outros países em desenvolvimento como Irlanda, Eslováquia e Uruguai apresentam IDH maior que o brasileiro com uma carga tributária abaixo dos 30% em relação ao PIB.

Fernanda Souza, gerente comercial da Easy-Way do Brasil, uma das maiores desenvolvedoras de sistemas tributários, fiscais e contábeis do país, chama a atenção para um a dado que não aparece no levantamento do IBPT: a burocracia.

“Além do Brasil cobrar muito e devolver pouco aos seus cidadãos, a forma como essa cobrança é realizada é muito burocrática e pouco eficiente, onerando, indiretamente, ainda mais os pagadores de impostos”, diz a especialista da Easy-Way.

Por isso, ela ressalta que é cada vez mais fundamental que as empresas encontrem formas de se planejar para enfrentar esse obstáculo e, assim, reduzir custos com retrabalho de equipes e multas originadas por erros cometidos no fornecimento de dados tributários ao fisco.

“As empresas têm sido obrigadas a informatizar e automatizar seus sistemas fiscais e tributários, sob o risco de perderem competitividade em relação a concorrentes que já atuam dessa maneira”, analisa Fernanda.