Brasil tem a maior carga tributária da América Latina

Brasil tem a maior carga tributária da América Latina

Estudo realizado por órgãos internacionais aponta que o país também supera a média da carga tributária de países ricos

A carga tributária no Brasil alcançou 35,7% do PIB no período entre 2010 e 2013, a mais alta entre os países da América Latina. A conclusão está no relatório “Estatísticas tributárias na América Latina e no Caribe 1990-2013”, produzido conjuntamente pelo Centro Interamericano de Administrações Tributárias – CIAT, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe – CEPAL, o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE.

Além de manter o posto de maior arrecadador de tributos na América Latina, o Brasil também sofreu o maior aumento da carga tributária no período, já que, enquanto sua arrecadação cresceu 2,5 pontos percentuais do PIB, o restante da região teve um incremento de 1,5 ponto percentual. Em relação à média dos países ricos, esse crescimento foi de 1,3 ponto percentual.

Ainda de acordo com o levantamento, o peso dos impostos no Brasil chega a ser quase o dobro da média da carga tributária dos 20 países pesquisados na região, que registraram uma média de 21,3% de impostos sobre o PIB. A Argentina ficou em segundo lugar no ranking, registrando uma carga tributária no período de 31,2%. Nos países ricos, a média da carga tributária ficou em 34,1% nesse período.

Apesar do estudo mostrar o crescimento da arrecadação apenas até 2013, as perspectivas para o momento atual não são favoráveis. “Neste ano já tivemos o anúncio oficial do aumento da alíquota de vários impostos, o que indica que certamente a carga tributária vai aumentar ainda mais”, diz Fernanda Souza, gerente comercial da Easy-Way do Brasil, uma das maiores desenvolvedoras de sistemas tributários, fiscais e contábeis do país.

Segundo a especialista, esse é o momento no qual as empresas devem encarar o planejamento tributário como uma ferramenta para proteger seus negócios e permitir a criação de novas oportunidades.

“O planejamento tributário deve sempre levar em conta a lógica negocial, ou seja, o empresário deve olhar para seu mercado, enxergar como fazer mudanças que tornem seu negócio mais eficiente e qual impacto tributário terá com essas alterações”, explica Fernanda.

Para a gerente, seguindo esse roteiro as empresas não correm o risco de terem suas mudanças questionadas pelo fisco sob a alegação de que foi realizada alguma manobra jurídica para simplesmente diminuir sua carga tributária.