Brasil tem o segundo maior imposto sobre multinacionais do G20

Brasil tem o segundo maior imposto sobre multinacionais do G20

Enquanto o imposto de renda alcança a alíquota de 34% (IRPJ + CSLL) para as multinacionais brasileiras, a média mundial é de apenas 22,96%

Um estudo realizado em parceria pela Confederação Nacional da Indústria – CNI e a consultoria Ernst Young mostrou que o Brasil é o segundo país que mais cobra Imposto de Renda sobre as multinacionais dentro do G20, o grupo que reúne os 20 países mais ricos do mundo.

A alíquota nacional de Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica – IRPJ (e CSLL) que recai sobre as multinacionais alcança 34%, perdendo dentro do G20 apenas para a Índia, onde são cobrados 34,61% de imposto. A média mundial, porém, está em 22,96% e apenas 30 países no mundo têm uma alíquota de imposto sobre as empresas superior a 30%.

Países que concorrem diretamente com o Brasil por novos investimentos estrangeiros como Argentina, África do Sul, Turquia e Rússia têm alíquotas abaixo de 28%. Nosso vizinho sul americano acaba de promover, inclusive, uma reforma tributária reduzindo a cobrança para 25%, assim como os EUA, França e Japão, que reduziram suas alíquotas para 21%, 28% e 29,74%, respectivamente.

O levantamento mostrou ainda que esse movimento de redução da carga tributária é uma tendência mundial, já que a média de impostos cobrados pelos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE caiu de 32% para 23,98%, entre 2000 e 2016, enquanto no Brasil a carga tributária manteve-se inalterada nesse período.

Para piorar, uma companhia argentina, por exemplo, que tenha investimentos nos EUA, tem sua tributação limitada aos 21% cobrados localmente. No caso de uma multinacional brasileira que realiza a mesma operação, ela ainda será taxada em mais 13% pela Receita Federal para equiparar à alíquota nacional.

A carga tributária maior obriga as multinacionais brasileiras a serem cada vez mais eficientes para conseguirem diminuir ao menos um pouco a disparidade em relação a suas concorrentes de outros países.

“Por isso é tão importante que as empresas invistam cada vez mais em tecnologia e automação de seus departamentos tributários”, explica Marcelo Ferreira, supervisor tributário da Easy-Way do Brasil, uma das maiores desenvolvedoras de sistemas fiscais, tributários e contábeis do país.

Para o especialista, quanto mais automatizado for esse processo dentro das empresas, menor será o custo com a alocação de horas para realizar essas tarefas rotineiras, assim como também se reduz o risco de erros que provoquem mais despesas com retrabalho e autuações.