Arrecadação tributária cai 17,7% com crise provocada pela pandemia

Arrecadação tributária cai 17,7% com crise provocada pela pandemia

Improvável redução na carga tributária deve levar as empresas a buscarem alternativas para se tornarem mais eficientes no pagamento de impostos

O Impostômetro registrou uma queda de 17,7% na arrecadação tributária no primeiro semestre de 2020 em função da crise provocada pela pandemia mundial de Covid-19. Segundo a ferramenta criada pela Associação Comercial de São Paulo – ACSP, nos primeiros seis meses desse ano foram arrecadados R$ 1,02 trilhão em tributos federais, estaduais e municipais, contra R$ 1,24 trilhão no mesmo período do ano anterior.

O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – IBPT realizou um estudo com várias projeções na queda da arrecadação tributária para 2020, de acordo com diferentes cenários de isolamento social. As previsões de perdas para o ano variam de 26,49%, na melhor das hipóteses, até 39,32% em um cenário de prolongado isolamento social.

É diante desse panorama que o Congresso deve retomar nos próximos dias as negociações das propostas de reforma tributária que caminham em paralelo na Câmara dos Deputados e no Senado, além de uma terceira proposta que deve ser enviada pelo Ministério da Economia.

“A perspectiva de redução na carga tributária no curto e médio prazo é muito improvável. As empresas terão que buscar alternativas se quiserem amenizar esses custos em seus balanços”, acredita Fernanda Souza, diretora comercial da Easy-Way do Brasil, uma das maiores desenvolvedoras de sistemas tributários, fiscais e contábeis do país.

Para a especialista, com as opções disponíveis para planejamento tributário cada vez mais escassas, as empresas têm sido pressionadas a buscarem maior eficiência no processo de apuração e pagamento de tributos e entrega de obrigatoriedades.

“O Relatório Doing Business 2020, publicado pelo Banco Mundial, mostrou que as empresas nacionais gastam 1.501 horas para cumprir suas obrigações tributárias e fiscais. Mas trata-se de uma média, então na prática há empresas que podem levar muito mais tempo que seus concorrentes mais eficientes. O impacto dessa diferença na margem de lucro pode ser um dos fatores preponderantes para a sobrevivência em tempos de crise, como a que estamos vivendo”, avalia Fernanda.

Para a diretora da Easy-Way, empresas que já investiram na automação de seus processos tributários estão na frente de seus concorrentes e mais preparadas para sobreviverem diante de um cenário mais adverso. De qualquer forma, ainda dá tempo para quem quiser buscar os benefícios da inteligência artificial aplicada ao gerenciamento de seus departamentos tributários e fiscais.

“Pode-se fazer uma analogia ao comércio online. Quem já vendia pela internet claramente teve uma vantagem diante da crise, mas muitas empresas se estruturaram e estão conseguindo uma alternativa de sobrevivência. Por outro lado, quem ficar fora dessa tendência corre sério risco de não conseguir superar esse momento difícil”, diz Fernanda.