GBCI aponta que Contabilidade e Impostos ainda são um dos principais problemas do país para aumentar sua eficiência e o compliance empresarial
O Brasil é o 6º país mais complexo do mundo para fazer negócios , segundo o Índice Global de Complexidade Corporativa – GBCI de 2025. Não bastasse ser um dos mais complexos, o país regrediu em relação ao ano passado, quando ocupava a 7ª posição. Grécia, França e México ocupam, respectivamente, as primeiras posições do ranking como os países mais complexos para o ambiente corporativo.
O GBCI é uma análise detalhada sobre a complexidade do ambiente de negócios em 79 países. O relatório, que está em sua 12ª edição, é produzido anualmente pelo TMF Group, uma empresa que presta serviços administrativos para multinacionais que precisam atender a regulações em diversas jurisdições.
Baseado em 292 indicadores de complexidade, o índice abrange legislação, compliance, procedimentos contábeis, tributação, regimes fiscais, e regras de recursos humanos e folha de pagamento.
O relatório apontou que no Brasil, processos que exigem assinaturas manuais e as frequentes mudanças legislativas – como as reformas tributária, trabalhista e previdenciária – adicionam camadas de complexidade. Em contrapartida, também foi registrado uma crescente adoção de tecnologia, que aprimora o monitoramento de transações e o compliance.
Para o GBCI, área de Contabilidade e Impostos permanece como o principal fator impulsionador da complexidade operacional no país. A integração dos sistemas tributários com normas contábeis internacionais, como IFRS ou US GAAP, gera uma complexidade considerável, especialmente em meio às discussões sobre a reforma tributária.
O relatório destaca que a sobreposição de impostos federais, estaduais e municipais cria um ambiente particularmente árduo para empresas estrangeiras. Também é citado que o país tem integrado cada vez mais a tecnologia para aprimorar o monitoramento sobre as transações financeiras, visando prevenir a lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas. Porém, isso também resulta em processos mais complexos e introduz novos riscos e desafios de compliance.
“Fazer negócios no Brasil continua complexo em termos de governança geral, especialmente no que diz respeito às transações que garantem o registro e o pagamento correto dos impostos”, afirmou um dos especialistas do TMF Group comentando os resultados registrados no relatório. “A publicação deixa claro que o governo vem investindo cada vez mais em tecnologia para monitoramento e fiscalização. A única forma que as empresas têm de reduzir seu risco de compliance fiscal e tributário é acompanhar esse investimento em tecnologia para automatizarem seus processos e minimizarem as chances de erros no processamento de seus tributos”, avalia Marcelo Ferreira, especialista tributário da Easy-Way do Brasil, uma das maiores desenvolvedoras de sistemas fiscais, tributários e contábeis do país.