Prévia do Tesouro Nacional aponta recorde histórico, ampliando desafios para planejamento fiscal e competitividade
A prévia da carga tributária no Brasil alcançou 32,4% do PIB em 2025, superando o patamar de 32,22% registrado em 2024 – o maior nível desde o início da série histórica em 2010. Esse avanço de 0,18 ponto percentual reflete pressões que recaem diretamente sobre as empresas, reduzindo a disponibilidade de recursos para investimentos, inovação e expansão.
Os principais fatores apontados para o aumento da carga tributária foram o crescimento da economia e da formalização do emprego, o que fez a retenção de Imposto de Renda na fonte elevar-se em 0,23 ponto percentual, enquanto contribuições previdenciárias avançaram 0,12 ponto, encarecendo a folha de pagamento e limitando contratações.
O aumento no Imposto sobre Operações Financeiras – IOF, mantido parcialmente pelo STF após questionamentos, contribuiu com 0,1 ponto percentual, impactando custos de crédito e operações cambiais – essenciais para importadores e exportadores.
Apesar do aumento na carga tributária total, também houve recuos pontuais, como na participação de impostos federais sobre consumo (-0,02 ponto) e ICMS estadual (-0,09 ponto). Na esfera municipal, o ISS cresceu 0,02 ponto, pressionando prestadores de serviços. No balanço final, a União aumentou em 0,26 ponto (para 21,6%), Estados recuaram 0,1 ponto (8,38%) e Municípios avançaram 0,03 ponto (2,42%).
Na classificação econômica, impostos sobre renda e lucros ganharam 0,12 ponto (9,16%), propriedade 0,02 ponto (1,73%), folha 0,01 ponto (0,31%) e comércio externo 0,05 ponto (0,71%). Contribuições sociais atingiram 6,72%, com previdência em 5,4%. Para as empresas, isso significa erosão de margens operacionais, especialmente no lucro real, onde apurações complexas demandam precisão para evitar autuações. O peso acumulado compromete reinvestimentos, eleva preços ao consumidor e reduz atratividade para investidores estrangeiros, prejudicando a competitividade em um cenário global.
Diante desse quadro, a gestão fiscal proativa torna-se indispensável. Softwares especializados permitem apurações automáticas de IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e contribuições, identificando oportunidades de créditos e planejamentos legais. Integrações com escriturações do SPED (ECD, ECF, EFDs) garantem consistência de dados, minimizando riscos de malha fina e otimizando fluxo de caixa.
“Com 32,4% do PIB em impostos, automação é o diferencial para sobreviver”, diz Marcelo Ferreira, especialista tributário da Easy-Way do Brasil, uma das maiores desenvolvedoras de sistemas fiscais, tributários e contábeis do país. Ele lembra que a adoção de softwares que automatizam tarefas rotineiras propicia a redução de erros e libera o tempo dos profissionais da empresa para atividades de maior valor agregado. “Sem ter que se preocupar com tarefas básicas e com a ajuda de sistemas que permitem simular diferentes cenários de forma simples, é muito mais fácil se dedicar a estudar estratégias de redução legal da própria carga tributária”, diz o especialista.