Tecnologia é a chave na adaptação à Reforma Tributária, aponta estudo


Departamentos como Contabilidade e TI lideram a formação de equipes específicas para a adaptação à Reforma Tributária

A Reforma Tributária já deu seu pontapé inicial com a fase de transição e os testes operacionais realizados com a implementação de percentuais simbólicos da CBS e do IBS. Um estudo conduzido pela PwC Brasil mapeou a visão do empresariado sobre o tema.

A pesquisa envolveu organizações de diferentes portes, setores e regiões do país, com 76,7% dos respondentes sendo CEOs ou diretores e uma forte representação de empresas de médio e grande porte (53% com faturamento superior a R$ 1 bilhão). Setores como produção industrial (31%), consumo (27%) e serviços financeiros (13%) tiveram participação significativa. O levantamento buscou verificar o estágio de preparação das organizações, suas preocupações e as estratégias em desenvolvimento para enfrentar os impactos esperados.

A visão predominante é de que, embora existam benefícios potenciais a longo prazo, prevalecem os riscos imediatos, como o aumento da carga tributária sobre a cadeia de valor (51%) e o impacto negativo no capital de giro e na liquidez da operação (44%).

Os resultados da pesquisa indicam que 37% das empresas ainda se encontram em fase inicial de mensuração dos impactos da Reforma Tributária. Observa-se uma correlação direta entre o faturamento e a maturidade da análise: quanto maior a empresa, mais avançado o estágio de avaliação.

A preparação para a reforma se mostra um esforço multidisciplinar, transcendendo a área fiscal. Departamentos como Contabilidade (93%) e TI (83%) lideram a formação de equipes específicas, seguidos por áreas como Jurídica (68%), Comercial (59%) e Suprimentos (57%), evidenciando a transversalidade dos impactos. No entanto, o planejamento de recursos humanos ainda apresenta um alto nível de incerteza, com 58% dos entrevistados sem conseguir dimensionar as necessidades de aumento de pessoal.

No que tange ao papel da tecnologia, a movimentação é notável. Quase 70% das empresas já iniciaram diagnósticos de seus sistemas (ERP e soluções fiscais) para avaliar a prontidão para as adequações necessárias. Desse percentual, 37% estão em estágio inicial e 32% em avançado, embora apenas 19% tenham concluído o processo.

“Ver este momento como uma oportunidade é fundamental para que as organizações possam se posicionar de forma estratégica, extrair valor da transição entre sistemas tributários e, assim, estabelecer vantagens competitivas”, acredita Marcelo Ferreira, especialista tributário da Easy-Way do Brasil, uma das maiores desenvolvedoras de sistemas fiscais, tributários e contábeis do país.

Para o especialista da Easy-Way, essa perspectiva reforça a necessidade de uma abordagem ágil, estratégica e abrangente, com foco em investimentos tecnológicos e na revisão aprofundada de processos, visando mitigar riscos e otimizar ganhos de competitividade.

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